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08-JUL-2026

Cabaceiras inaugura o Memorial do Cangaço da Paraíba

Cabaceiras inaugurou o Memorial do Cangaço da Paraíba, novo espaço dedicado à memória do cangaço, aberto diariamente e voltado à valorização da cultura nordestina.

Por Sabrina Ramos 08/07/2026 #inovação
A noite de 19 de junho entrou para a história de Cabaceiras com a inauguração do Memorial do Cangaço da Paraíba, um espaço dedicado à preservação da memória, à pesquisa e à valorização de um dos períodos mais marcantes da história do Nordeste. O equipamento reforça a vocação do município como referência nacional em turismo cultural e amplia o patrimônio histórico da "Roliúde Nordestina".

A solenidade reuniu autoridades, pesquisadores, jornalistas, documentaristas, escritores e familiares de personagens históricos ligados ao cangaço, transformando o momento em um grande encontro de memória, cultura e conhecimento. O prefeito Ricardo Aires participou de toda a programação e destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento da identidade cultural do município.

Segundo o gestor, preservar a história é garantir que as futuras gerações compreendam as raízes do povo nordestino. Ricardo Aires também agradeceu a todos que contribuíram para a concretização do projeto e ressaltou que Cabaceiras se consolida, mais uma vez, como protagonista na valorização da cultura, da história e do turismo do Nordeste.

Durante o evento, o pesquisador e escritor João de Sousa Lima destacou a relevância da criação de um espaço permanente dedicado ao estudo e à pesquisa do fenômeno do cangaço, afirmando que preservar essa memória é essencial para compreender a formação histórica, social e cultural do Nordeste brasileiro.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a entrevista concedida à equipe de comunicação da Prefeitura de Cabaceiras por Maria Quitéria, neta de Antônio Silvino, e Geraldo Ferraz, neto do Major Theophanes Ferraz Torres, que, à época da prisão de Antônio Silvino, possuía a patente de alferes. Durante a conversa, ambos compartilharam histórias vividas por seus avós, destacando a relação de respeito construída entre eles.

Entre os relatos, relembraram o episódio em que o Major Theophanes impediu que Antônio Silvino fosse executado por seus comandados no momento da prisão, afirmando:

"Vocês não têm o direito de tirar a vida dele, porque ele não é prisioneiro de vocês, nem meu; ele é prisioneiro do Estado."

Também destacaram o apoio prestado pelo Major à família de Antônio Silvino após sua prisão, contribuindo para que seus filhos tivessem acesso aos estudos, revelando um capítulo pouco conhecido da história do cangaço e demonstrando que, mesmo em lados opostos, era possível haver respeito e senso de justiça.

A programação contou ainda com homenagens e a entrega de comendas honoríficas a personalidades que contribuíram significativamente para a pesquisa, a preservação e a divulgação da história do cangaço. À frente da iniciativa esteve o professor Julierme do Nascimento Wanderley, presidente fundador do Conselho Cristino do Borborema Cangaço e curador do Memorial do Cangaço da Paraíba em Cabaceiras, responsável pela idealização e condução desse importante projeto cultural.

Desde a última segunda-feira, 6 de julho, o Memorial do Cangaço da Paraíba está aberto à visitação pública, funcionando de domingo a domingo, das 8h às 17h, com intervalo para almoço, permitindo que moradores e turistas conheçam de perto o acervo dedicado ao estudo e à preservação da história do cangaço.

A gestão do espaço também já planeja novos investimentos. Após um período inicial de aproximadamente 60 dias de funcionamento, está prevista uma reforma na área posterior do Memorial para receber, a partir de outubro, um grande evento temático dedicado ao cangaço, com apresentações teatrais, grupos de dança, palestras, exposições e diversas atividades culturais, ampliando ainda mais o potencial turístico, educativo e cultural do equipamento.

Com a inauguração do Memorial do Cangaço da Paraíba em Cabaceiras, o município reafirma seu compromisso com a preservação da memória, fortalece o turismo histórico-cultural e amplia as oportunidades para que pesquisadores, estudantes e visitantes conheçam, de forma responsável, contextualizada e fundamentada, um dos capítulos mais importantes da história do Nordeste brasileiro.


 

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